Vigilância Sanitária de Sorocaba só deve iniciar fiscalização no ano que vem; apenas 4 dos 22 estúdios do Centro da cidade estão legalizados
Carlos Oliveira/ Agência BOM DIA
Adriano Ferreira alerta sobre o risco de colocar o adereço em adolescentes, que ainda estão em fase de crescimento
Os estabelecimentos de Sorocaba especializados na colocação de peircings e tatuagens não têm fiscalização adequada. A Visa (Vigilância Sanitária Municipal de Sorocaba) é o órgão responsável por fiscalizar a atividade, mas só deve começar a atuar no próximo ano.
De acordo com a diretora da Área de Saúde Coletiva de Sorocaba, Eliana de Paula Leite, a Visa não possui profissionais suficientes para isso. “Teremos de contratar dois técnicos, por meio de concurso público”, salienta.
Atualmente, o trabalho é feito baseado em denúncias. Uma equipe é enviada ao local e autua ou interdita o estabelecimento.
A morte da saltense Thaís Jesus da Silva Vaz, de 13 anos, por infecção generalizada, depois da colocação caseria de um piercing no umbigo, abriu na cidade as discussões sobre a colocação desse tipo de acessório.
Proprietário de um estúdio de piercings e tatuagens, Gustavo Nardini, concorda com o início da fiscalização. Ele afirma que existem cerca de 22 estabelecimentos na região central da cidade, mas apenas quatro trabalham em conformidade com as regras de higiene e segurança. “Há pontos que não usam instrumentos esterilizados, nem jóias adequadas”, explica. Piercings de baixa qualidade provocam inflamações e até mesmo infecções.
Um exemplo disso é o caso de Flávia Errador Ribeiro, 13. Ela colocou um piercing na sombrancelha há três meses, mas precisou tirar por causa de uma inflamação. A mãe da garota, Viviane, contou que o estúdio aceitou fazer o implante na menor.
Adriano Ferreira, que trabalha na colocação de piercings, defende que menores de idade não devem usar esses acessórios por estarem em fase de crescimento.
O médico infectologista e professor da Faculdade de Medicina de Jundiaí, Roberto Focaccia, diz que o risco do uso do piercing está no fato de que a infecção poder atingir a corrente sangüínea e órgãos como o coração.
Dentista alerta para riscos à saúde bucal
As seqüelas causadas pelo uso prolongado do piercing na língua, lábios, bochechas e até mesmo na úvula (popularmente conhecida como “campainha”) podem trazer conseqüências que vão desde a retração do tecido gengival até edemas sérios e agravamento severo de problemas no coração.
O cirurgião dentista Jefferson Vinícius Bozelli diz que é importante que os profissionais saibam orientar os usuários destes adereços. “O piercing oral acarreta problemas para a mucosa bucal, dentes e em seus tecidos de sustentação”, explica.
Segundo o especialista, o uso contínuo deste ornamento, e conseqüentemente a constante agressão da mucosa bucal que o piercing oral causa, pode ocasionar uma leucoplasia - lesão de mancha branca na região da mucosa bucal - que pode se tornar um câncer.
Na maioria das vezes, os danos são menos sérios, mas não menos traumáticos. “Se não houver uma higienização diária e correta tanto da boca quanto do piercing utilizado, é praticamente certo que depois de um determinado tempo, o usuário apresente sofra dano nos tecidos bucais, podendo até levar à perda de algum dente”, diz.
A higienização adequada envolve a retirada do piercing três vezes ao dia, escovação cuidadosa e lavagem com soluções anti-sépticas.